O Santa Catarina Moda Contemporânea (SCMC) é, atualmente, um evento de conhecimento nacional, indo para sua 7ª edição. Ele já foi palco de apresentação de muitos acadêmicos talentosos de diversas instituições que trabalham em parceria com empresas da região. Esse elo que se faz entre acadêmicos, instituições e empresas agrega conhecimentos a todas as partes, proporcionando experiências que servirão para vida profissional, mas pessoal também, como o trabalho em equipe, a busca pela inovação e por se destacar em meio a tantos trabalhos que merecem ser condecorados.
A Unifebe ficou fora do evento no último ano, mas está de volta, com acadêmicos instigados, porém com receios e dúvidas sobre o SCMC e, para sanar a curiosidade de como as coisas funcionam do lado de dentro do evento, o professor Marcelo Rodrigo Campos organizou uma palestra-debate com ex-participantes que marcaram presença na 6ª edição, no ano passado, a primeira edição a trocar os desfiles finais por ambientações em cápsulas conceituais.
Os estudantes Débora Faustino, Thaís Alessandra Hadamann e Marco Aurélio Ferrari estiveram na Unifebe apresentando seus trabalhos e conversando com os alunos. Confira as entrevistas:
Débora Faustino.
Idade: 20 anos.
Formação:
Técnico em Produção de Moda
Cursando Moda na Universidade Regional de Blumenau (FURB)
Onde trabalha atualmente:
Na Dudalina.
Qual entidade representava e com qual empresa trabalhou no SCMC?
Senai Blumenau junto a Tecnoblu.
Onde trabalhava na época do SCMC?
Na Hering.
Sua participação exigia uma disposição de tempo em certos períodos e horários para dedicar-se ao projeto. Como foi a relação da empresa onde trabalhava com a sua participação?
Como possuía uma quantidade significativa no banco de horas não tive problemas em sair do local de trabalho.
Qual foi a maior dificuldade que você teve desde a inscrição ao dia do evento?
Sem dúvidas foi o tempo. Arrumar tempo para fazer tudo, trabalhar, fazer os trabalhos do curso e o projeto do SCMC.
Como funcionou a definição do tema para montagem da cápsula?
Veio da parceria do Jackson Araújo com a sua instituição de ensino e a empresa com quem trabalhei. Foram feitos vários exercícios durante os encontros dos times criativos, até chegar a um tema que agrade a equipe.
Em sua opinião o que distinguiu e chamou a atenção do público na cápsula da sua equipe?
A interação que o público podia ter, cada um deixando um pouco de si na cápsula.
O que você acha que poderia ter sido diferente, que poderia ter sido melhorado no seu projeto?
Poderíamos ter feitos mais testes, evitando assim alguns erros, mas nada grave que não pudesse ser reparado na hora.
Quanto tempo levou para chegar ao resultado final?
Se não me falha a memória, foi um ano e três meses de pesquisas e muito trabalho.
O que mais marcou na participação do evento?
Poder conhecer pessoas maravilhosas com talentos incríveis, gerando trocas de experiências.
O SCMC já se tornou um evento conhecido e vinculado em diversas mídias. Vocês acreditam que terem participado abriu portas para propostas de emprego?
Não abre portas, mas é algo a mais que é levado em consideração na hora de uma entrevista.
Estar envolvido com um projeto do porte que é o SCMC agrega conhecimentos pessoais e profissionais. O que você diria que pode tirar dessa experiência e que levará para vida?
Conhecimento, muito conhecimento, que é algo que ninguém tira de você.
Marco Aurélio Ferrari.
Idade: 31 anos.
Formação:
Design de Moda – UNIVALI – Incompleto cursando
Técnico em Produção de Moda – SENAI BRUSQUE
Técnico em Artes Cênicas – EPASC – Balneário Camboriú
Baterista – ART MAIOR – Balneário Camboriú
Fotografia Digital – COLO ZOOM – Balneário Camboriú
Administração com Habilitação em Marketing – UNIVALI – trancado
Onde trabalha atualmente?
Trabalho na criação e desenvolvimento de produtos da minha própria marca – a Cross Job – que tem um estilo rocker. A primeira coleção será Primavera/Verão 2012/2013 e tem como tema Raul Seixas, e está sendo inspirada no filme -documentário nacional chamado “Raul Seixas: o início, o fim e o meio” juntamente com o filme 2012. Uma das preocupações da marca é a valorização do Brasil como produto, valorização da nossa cultura e nossas raízes. O nome da coleção será “O dia em que a terra parou”, devido a essa tensão no ar de “fim do mundo” que, através do filme 2012, ficou incutida na sociedade, que também tem muito a ver com algumas frases do Raul Seixas.
Qual instituição representava e com qual empresa trabalhou no SCMC?
Na verdade fui selecionado pelo Senai de Brusque, mas quando fomos apresentados ao projeto, passamos a fazer parte de um Time Criativo. Não era separada empresa de instituição. O meu Time criativo era composto por quatro funcionários da empresa Copa & Cia, dois alunos do Senai de Brusque, eu e Fabiana Caetano, mais um professor da instituição. Representavamos o Time Criativo Copa & Cia + Senai Brusque.Onde trabalhava na época do SCMC?
Trabalhava em uma loja masculina chamada Urban Man em Balneário Camboriú.
Sua participação exigia uma disposição de tempo em certos períodos e horários para dedicar-se ao projeto. Como foi a relação da empresa onde trabalhava com a sua participação?
A relação não foi muito boa, pois em alguns momentos encontrava resistência nas necessidades de saída para os encontros do SCMC. Enfim, algumas empresas, em minha opinião, ainda não viraram o século. Ficaram com suas estruturas voltadas apenas para os resultados, não que isso não seja fundamental, mas não é só isso. Por exemplo: o SCMC agregou muito conhecimento para ser levado a empresa, mas eles não se interessaram em saber e aplicar. Me preferiam dentro da loja vendendo ao invés de conhecer coisas que poderiam colocar a empresa na frente dos concorrentes.
Qual foi a maior dificuldade que você teve desde a inscrição ao dia do evento?
(risos) Foram tantas. Uma delas mencionei na pergunta anterior que foi a própria empresa onde trabalhava. A outra foi conciliar estudo, SCMC, trabalhos de aula, trabalho, filho, família. E como eu acabei assumindo a frente do Time Criativo, as coisas ficaram ainda mais pesadas para mim. Mas também não me esqueço do dia da entrevista com Jackson Araújo, que eu trabalhei das dez até duas da tarde, e peguei a BR pra ir a Blumenau na entrevista e a BR estava sendo reformada. Conclusão, quase não deu tempo de participar da entrevista, pois cheguei na hora que a penúltima dupla saiu da sala de entrevistas e os próximos já éramos nós. Foi por pouco, mas eu desejava muito participar e na minha sala ninguém queria se inscrever comigo, porque meus desenhos eram muito diferentes e ficaram com medo de não serem aprovados, então no penúltimo dia a Fabiana me viu chorando e disse que ia se inscrever comigo. Tivemos um dia apenas para fazer o portfólio. Sou grato até hoje pela Fabiana ter aceitado ir comigo bem em cima da hora. As coisas foram sempre por pouco (risos).
Como funcionou a definição do tema para montagem da cápsula?
Foi muito legal. Todos os grupos criativos se reuniam em workshops e eram obrigados e estudar um blog de macrotendências e comportamento. Em um deles tivemos que escolher duas dessas macrotendências. Os escolhidos foram Tell Me More – que é a tendência das empresas contarem histórias em suas coleções e produtos – e o Localismo – que é a valorizaçãod o que é local, em todos os níveis socioculturais. Com a eleição dessas macrotendências, já sabíamos que nosso espaço interativo deveria contar a história de algum personagem, pessoa ou arte da região. Nosso time criativo trabalhou o poeta Lindolf Bell de Timbó, mas nos inspiramos em várias correntes da arte para montarmos a capsolétt collection, como o artista Austin Kleon, que faz remontagem de textos em cima dos próprios textos de um livro ou jornal. Trabalhamos também a arte do biscuit com uma artesã local, a arte do bordado com uma bordadeira da região e trabalhamos a decoração dos espelhos e mesa no estilo Art Nouveau. E tudo tinha que ser apresentado em desenhos anteriormente para aprovação do diretor criativo.
Em sua opinião o que distinguiu e chamou a atenção do público na cápsula da sua equipe?
A capsolétt collection do nosso Time Criativo foi um dos mais comentados, pois era uma empresa que não tinha, a princípio, nada a ver com a moda pré-concebida pelo público que foi ao evento, mesmo porque ninguém imaginava que o evento que antes era feito em desfiles havia mudado o formato para instalações e capsolétt collection. Ter uma empresa no ramo de jogos americanos em um evento de moda não era esperado. Então um local todo branco, bem minimalista, com apenas fios pretos espalhados pela mesa representando a matéria prima do escritor, que é a tinta, criando uma atmosfera de paz e calma, as pessoas puderam saborear as recriações feitas nos poemas do Lindolf. “Jantar na casa do poeta”. Trabalhamos diversos paradoxos. O preto e o branco. Poesias no lugar de alimento em cima da mesa sendo servido como prato principal. Máquinas de escrever no lugar de talheres e copos. A mistura do produto tecnológico, que eram os porta-copos e os jogos americanos feitos em polipropileno em contrapartida com o trabalho manual da bordadeira e da artesã de biscuit, o colorido da poesia fazendo oposição ao ambiente minimalista. Tudo era uma grande contradição, como se dissesse, sim, é possível criar um produto com informação de moda e design numa empresa que não é da área da moda. Mas o que mais foi comentado foi o lustre feito de porta copos, que ficou luxuoso.
O que você acha que poderia ter sido diferente que poderia ter sido melhorado no seu projeto?
Nada. Ele ficou perfeito. Acho que apenas melhoraria a pintura das paredes e do chão.
Quanto tempo levou para chegar ao resultado final?
Pergunta muito difícil, tendo em vista que o projeto SCMC teve várias reformulações de tamanhos das instalações. A cada mudança de medida, era preciso rever todo o projeto. Então quando achávamos que tinha acabado, tinha que começar tudo de novo. Mas para finalizar tudo mesmo foi na noite anterior, seguindo cronograma da organização do evento.
O que mais marcou na participação do evento?
A quantidade de informação e de coisas revolucionárias que está acontecendo no mundo da moda e do design que não nos damos conta porque estamos abitolados nos desfiles de moda. As dificuldades de comprometimento encontradas no Time Criativo e a festa de encerramento, claro, com um gostinho de dever cumprido.
O SCMC já se tornou um evento conhecido e vinculado em diversas mídias. Vocês acreditam que terem participado abriu portas para propostas de emprego?
Não. Seria ridículo acreditar que o SCMC é garantia de emprego. Mas ele pode ser um diferencial crucial no currículo de qualquer acadêmico de design de moda na hora do recrutador da empresa chamar para uma entrevista. O que pode acontecer é o aluno que está no time criativo da empresa participante ser contratado, mas não fiquei sabendo desse caso nessa edição, ou ainda, como se aumenta a rede de relacionamentos com as marcas e empresas, seu currículo pode chegar a uma empresa participante, dando a oportunidade de ao menos uma entrevista, o quejá aconteceu comigo. Fui chamado para seis entrevistas desde dezembro, mas resolvi fazer o caminho inverso. Não quero criar para a indústria, quero criar para os consumidores. Terei relacionamento de cliente com algumas marcas.
Estar envolvido com um projeto do porte que é o SCMC agrega conhecimentos pessoais e profissionais. O que você diria que pode tirar dessa experiência e que levará para vida?
Os amigos que fiz, os relacionamentos profissionais e principalmente a minha marca.
Algo a acrescentar?
Sim. Gostaria de desejar sucesso nas instalações dos acadêmicos da 3ª fase do Curso de Moda da Unifebe e que nesse ano participem da seleção pro SCMC. É trabalhoso, cansativo, estressante, mas é recompensador. Tudo vale à pena quando a alma não é pequena.
Thais Alessandra Hadamann.
Idade: 20 anos.
Formação:
- Design de Moda
- Cursando Comunicação Social – Publicidade e Propaganda
- Onde trabalha atualmente?
Super Pank Confeccões.
Qual entidade representava e com qual empresa trabalhou no SCMC?
SENAI Blumenau + Lancaster.
Onde trabalhava na época do SCMC?
Já trabalhava na Super Pank Confecções.
Sua participação exigia uma disposição de tempo em certos períodos e horários para dedicar-se ao projeto. Como foi a relação da empresa onde trabalhava com a sua participação?
De início foi complicado, porém estava certa que queria participar mesmo que isto custasse meu emprego. Após algumas conversas e distribuição de algumas funções minhas, a empresa aceitou, contudo, eu teria que sempre estar com minhas obrigações em dia.
Qual foi a maior dificuldade que você teve desde a inscrição ao dia do evento?
A relação com as pessoas é muito complicada. Chegar num acordo do que faríamos foi difícil. A divergência de opiniões é o maior problema.
Como funcionou a definição do tema para montagem da cápsula?
Através dos posts que a diretoria publicava no micro blog, chegamos ao tema Localismo, o qual todas – ou a grande maioria – das empresas e instituições se identificaram e assim fomos trabalhar o Localismo da Lancaster e toda a sua história.
Em sua opinião o que distinguiu e chamou a atenção do público na cápsula da sua equipe?
Com certeza a nossa idéia de fazermos os looks em metal. As pessoas não conseguiam acreditar que era possível. Trabalhamos também o mimetismo – toda a estrutura tinha a mesma camuflagem, no caso estampa – foi algo que impressionava as pessoas. A iluminação também atraia e ajudava nas instalações.
O que você acha que poderia ter sido diferente que poderia ter sido melhorado no seu projeto?
Como em muitos projetos até mesmo no dia-a-dia, imprevistos ocorrem e isto é algo que num projeto desde porte é normal. Durante o processo de fabricação dos nossos looks tivemos problemas em encontrar materiais para trabalhar com as chapas, mas estávamos dispostas a apresentar algo novo para o público, e ocorreram grandes mudanças de ultima hora que afetaram diretamente todo o nosso trabalho e a nossa idéia. Adorei nosso projeto como ficou em seu resultado final, não mudaria em nada apesar de toda a mudança final sem a aprovação das opiniões de nós, estudantes.
Quanto tempo levou para chegar ao resultado final?
Quando iniciamos o SCMC nossa preocupação ainda não estava voltada para o projeto final, a partir do terceiro mês começamos a nos direcionar para ele. Os três primeiros meses foram de imersão e muitas pesquisas para chegarmos a macrotendência proposta pelo Jackson. Então, após estes três meses de pesquisa nos voltamos para o projeto final, e ainda assim faltando 40 dias para a apresentação tivemos uma grande alteração em todo o projeto, algo que foi determinado – e não proposto – pela Lancaster e assim tivemos que trabalhar muito pesado para conseguir entregar dentro do prazo.
O que mais marcou na participação do evento?
Eu acho que em um evento do porte do SCMC que está entre os 10 mais importantes do país, tudo marca, tudo é importante. É experiência profissional, pessoal, de vida, como ressaltado durante a palestra.
O SCMC já se tornou um evento conhecido e vinculado em diversas mídias. Vocês acreditam que terem participado abriu portas para propostas de emprego?
Com toda a certeza o SCMC é algo a mais num currículo, acrescenta pelo conhecimento e experiência, porém não é garantia de emprego para ninguém. Isto é um fato, principalmente porque na nossa região a grande maioria das empresas têxteis não trabalha com o conceito de macrotedências.
Estar envolvido com um projeto do porte que é o SCMC agrega conhecimentos pessoais e profissionais. O que você diria que pode tirar dessa experiência e que levará para vida?
A principal e talvez mais importante é a convivência com pessoas diferentes, com opiniões diferentes e saber lidar com isso, tendo que dizer sim quando necessário, mas também dizer não e defender seu trabalho, pois você merece uma chance.
Algo a acrescentar?
Se vocês estudantes de moda tem como objetivo entrar para o SCMC, dedicação é fundamental para este projeto.
Em resumo as entrevistas mostram que participar do SCMC, por mais enriquecedor que possa ser, não abrirá várias portas, mas mostrará novos caminhos e trará visões de alguém com uma bagagem maior. Isso, sem dúvidas, será o diferencial para os que buscam oportunidades na área de moda.
Acadêmicas: Andréia Bernado Brígido, Deise Laís Shaefer, Luana Geanesini e Pricila Kohler.
Foto: Andréia Brígido.
Este texto foi redigido na disciplina de Comunicação de Moda em fevereiro de 2012.



























